Quase 600 homens pediram ajuda à Quebrar o Silêncio


Hoje comemoramos o nosso 6º aniversário.

Em janeiro de 2017 abrimos as portas para os homens e rapazes vítimas de violência. Somos a primeira associação portuguesa de apoio especializado para homens e rapazes sobreviventes.

Nestes 6 anos de existência contabilizámos 594 pedidos de ajuda de homens vítimas de abusos sexuais.

em 2022, 127 homens e rapazes vítimas de abuso sexual procuraram a associação, com uma média de 10,5 novos casos por mês. Janeiro e setembro foram os meses com a maior procura, tendo a associação registado 18 novos pedidos em cada um destes meses.

“À medida que trabalhamos para aumentar a visibilidade da Quebrar o Silêncio, recebemos mais pedidos de apoio de homens e rapazes que foram vítimas de violência sexual e que agora sentem segurança para nos contactar. São homens que vêem as suas vidas afetadas pelo abuso sexual a nível pessoal, social e profissional. Muitos relatam problemas em estabelecer relações de confiança com os outros, dificuldade em relaxar, estando permanentemente em alerta, baixa autoestima e assertividade, níveis altos de ansiedade e problemas na sua vida íntima e sexual”, indica Ângelo Fernandes, fundador da Quebrar o Silêncio. 

“No entanto, é preciso clarificar que este sofrimento nem sempre é visível para as outras pessoas, como os familiares destes homens, amigos ou colegas. Ou seja, muitos destes homens vivem as suas vidas sem que as pessoas se apercebem da sua dor, camuflando, a muito custo, o seu sofrimento dos outros. É como se usassem uma máscara que não pode ser removida. A sociedade ainda não evoluiu para aceitar a realidade de que um em cada seis homens é vítima de abuso sexual e, por isso, estes homens não sentem a segurança necessária para partilhar as suas histórias. A maioria demora mais de 20 anos até ser capaz de fazê-lo”, complementa Ângelo Fernandes.

Homens e rapazes sobreviventes sem perfil

Dos 127 homens e rapazes que procuraram apoio em 2022, a média de idades é de 36 anos. O sobrevivente mais novo tinha 16 anos e o mais velho 67 anos. “Apesar de o tempo de silêncio ser, em média, mais de 20 anos, cada vez mais vemos jovens vítimas a procurar o nosso apoio. Isto é extremamente positivo, pois permite que façamos uma intervenção mais cedo. Independentemente da idade, há algo em comum a estes homens: para a maior parte é a primeira vez que partilham a sua história de abuso com alguém e também é a primeira vez que procuram apoio”, explica o presidente da Quebrar o Silêncio.

O número de pedidos de homens vitimados em idade adulta também aumentou. “A maioria dos casos ocorre na infância. No entanto, registamos, cada vez mais, casos de abuso em idade adulta e em vários contextos, como na intimidade, entre casais, saídas noturnas ou mesmo no contexto da saúde. Para estes homens há um conjunto de outros obstáculos à procura de apoio, nomeadamente o estigma muito grande relativamente aos homens adultos que são vítimas de violência sexual. Persistem ideias erradas, como por exemplo, que um homem adulto não pode ser abusado sexualmente pois tem a obrigação de se defender e de evitar o abuso. Estas crenças estão erradas e promovem o silêncio destes homens”, defende Ângelo Fernandes.

Quanto ao perfil dos homens vítimas de abuso sexual, este não existe. “Temos homens com doutoramentos, outros com o 9º ano de escolaridade, homens casados, solteiros e divorciados, uns sem filhos, outros já com netos. Uns estão empregados, alguns são donos do seu próprio negócio, outros estão em situação de desemprego. Ou seja, não há um perfil social destes homens. Apenas sabemos que são os amigos, colegas, maridos, pais e familiares de todos nós“, garante Ângelo Fernandes.

Peça ajuda

Se foi vítima de abuso sexual ou tem dúvidas, não adie mais, peça ajuda hoje.

Linha de apoio: 910 846 589

Email: apoio@quebrarosilencio.pt